sábado, 9 de outubro de 2010

Decididamente

As vezes me sinto o cara mais azarado de toda a história, ontem então nem se fala. Parecia que eu não devia ter saído da cama então resolvi postar aqui uma música que eu considero o tema dos azarados, porém não consegui achar um vídeo dela no youtube então tive que fazer um, simples eu sei, mas vale pelo áudio dessa belíssima música escrita por Vinícius de Moraes e Edu Lobo na voz maravilhosa deste.


Decididamente
Edu Lobo
De Edu Lobo e Vinícius de Moraes

Decididamente, eu não sou gente
Eu sou um ente incompetente, mal acabado
Eu infelizmente não consigo nem sequer ser um mendigo
Dá tudo errado

Deus, quando me fez, devia estar muito invocado
Ganhou o campeonato de fazer nego sofrer
Um urubu pousou na minha sorte
Eu nasci pra boi de corte
Deu cupim no meu viver.

Sábado passado quando eu vinha
Uma zinha "da pontinha"
Fez uma linda carinha para mim
Eu, aí, peguei minha pessoa
E fui andando para a boa
Na esperança de um domingo menos ruim

Pois, amigo, que é que é que você acha
Vou e levo uma bolacha
De um frajola que eu não sei de onde surgiu
E, que além de tudo, não contente
Me mandou apenasmente
Para a...

Quando você está mesmo sem sorte
Nem a vida e nem a morte
Querem nada de saber de você, não
Você pode estar morto, defunto
E vêm os vermes todos juntos
Lhe pedir pra não seguir a refeição

Chega o dia e a vida está tão chata
Que você pega e se mata
Dá um tiro que parece de canhão
Mas a sua sorte é tão ingrata
Que êle sai pela culatra
Com licença da expressão.


O Eterno / Já é tarde meu Amor

Olá a todos!!
Finalmente o blog está retomando o seu ritmo de postagem!
Bem, eu estava na dúvida sobre o que postar agora, mas depois do post do Thadeu, lembrei-me que havia escrito um poema (essa semana) pensando no final do "Soneto da Fidelidade" ("Mas que seja infinito enquanto dure"). Então, vou postar esse e outro, também escrito essa semana que, claro, também tem uma influência de Vinicius (ainda mais agora que comprei "Antologia Poética" ).

O Eterno (Ricardo José)

Na poesia impura da cidade,
Envolta de morte
E desespero,
Ainda encontro versos
Que falem do amor,
Do mais puro amor eterno.

Na incrédula luz,
O negrume da incerteza
Associa-se ao medo.
Mas em teus olhos
Ainda resplandece a luz ...

Mas foi nos teus
Braços que senti desespero.
Percebi, de súbito,
Que nada é eterno.

Mas foi no teu riso
Que sorri, e nos
Teus olhos que amei.

Não, não é o tempo
Que dita o Eterno ...

É o coração.


Já É Tarde Meu Amor (Ricardo José)

Já é tarde, meu Amor ...
Tu deixastes o amor morrer,
Adoecer em teu peito vago.

O que antes era tenaz,
Teu corpo gélido,
Tua mão fraca
E teus beijos distantes,
Tornaram-no fugaz
E sem sentido.

Se a morte de algo tão belo
É precedido por dor ...
Desejo-me alienar de paixões.
Desejo apaziguar teus sabores
Com amargos pesares,
E esquecer-te para sempre.

E esquecer-te no infinito,
E no infinito, reencontrar-te
E quem sabe amar-te uma vez mais.

Mas, meu Amor,
És morta nossa paixão,
Fostes equânime ao julgar-me.
Decidistes esquecer-me ...

Já é tarde ...
Ainda é tarde ...
Mas é cedo no infinito.

E é infinito o Horizonte.

E o Horizonte são teus beijos,
Teus olhos, tuas palavras.

É cedo, meu Amor,
Mas nos amaremos uma vez mais,
E há de ser eterno,
Há de ser belo,
Há de ser sincero ...


Um grande abraço à todos.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A visita que veio contrariar Vinicius

Galera, um aviso a todos: Só não posto minhas poesias aqui porque já tenho um blog para esse fim, então lhes convido para fazer uma visita no Existência.
Gostaria de agradecer o apoio do Cesar, não só quanto ao texto que escrevi aqui, mas também por me ajudar a escolher as poesias que colocaria no concurso, e também ao Ricardo que sempre me apoia em tudo, em todas as minhas ideias malucas, desde o Marujada Carcumida até hoje, coisas que são muito bacanas relembrarmos, apesar de ter perdido o forum...
O meu objetivo de estar aqui é estar presente nesse blog aonde todos podem colocar um pouco de si, e esse pouco de mim vem em seguida:


Vou colocar dois textos de Vinicius de Moraes e um texto meu (já existente, e está lá no blog) aonde eu faço uma interseção entre esses dois textos de Vinicius.

Soneto de Fidelidade (Vinicius de Moraes)
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


Soneto de Carnaval (Vinicius de Moraes)
Distante o meu amor, se me afigura
O amor como um patético tormento
Pensar nele é morrer de desventura
Não pensar é matar meu pensamento.

Seu mais doce desejo se amargura
Todo o instante perdido é um sofrimento
Cada beijo lembrado uma tortura
Um ciúme do próprio ciumento.


E vivemos partindo, ela de mim
E eu dela, enquanto breves vão-se os anos
Para a grande partida que há no fim


De toda a vida e todo o amor humanos:
Mas tranqüila ela sabe, e eu sei tranqüilo
Que se um fica o outro parte a redimi-lo





Do carnaval a fidelidade (Thadeu Werneck)
Pássaros cantando... Acabou de amanhecer um dia em que não dormi, mas não tem nada a ver com estar depressivo e pensativo, não dormi para me manter no horário certo. Agora só durmo hoje a noite bem cedo. Mas não vim falar da minha vida, nem de meus horários, isso é apenas uma introdução convidativa para ler a minha prosa, ou crônica poética (chame do que quiser) que vai vir a seguir.


Tentei acordar uma vez ao seu lado, mas não foi falha minha, tentei chegar a um objetivo, mas acabei por conservar os nós. Sorri por um momento, parei de sorrir. Sorri por outro momento, não consegui. Não tem nada a ver com tristeza e sim com lembranças. Disseram-me que águas passadas não movem moinhos, me disseram que era vento, não me disseram nada das lembranças, se elas movem moinhos ou não. Agora sei. Elas movem. Um mestre me disse uma vez, num consolo de carnaval, que aquele beijo, aquele corpo não seria mais encontrado, foi só um acerto repentino entre nós dois. O mesmo mestre também disse que o tempo que durar, se durou, foi infinito. Mestre, aquele beijo de carnaval repentino, durando o tempo que durou, se encontrando o tempo que encontrou, foi infinito.
A conclusão disso afinal é que uma vez ocorrido na vida, vira lembrança e virando lembrança torna-se infinito, pois durou um tempo e o tempo que durou vai se arrastar no tempo que está durando.
Águas passadas não movem moinho. Ventos passados não movem moinhos. Lembranças passadas são infinitas.


Obrigado pelo tempo e até mais! 

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

"TOCA RAUL" II

Bom agora a segunda música: Eu Também Vou Reclamar do álbum Há 10 Mil Anos Atrás de 1976



Eu Também Vou Reclamar
Raul Seixas
Composição: Raul Seixas - Paulo Coelho

Mas é que se agora
Pra fazer sucesso
Pra vender disco
De protesto
Todo mundo tem
Que reclamar

Eu vou tirar
Meu pé da estrada
E vou entrar também
Nessa jogada
E vamos ver agora
Quem é que vai güentar

Porque eu fui o primeiro
E já passou tanto janeiro
Mas se todos gostam
Eu vou voltar

Tô trancado aqui no quarto
De pijama porque tem
Visita estranha na sala
Aí eu pego e passo
A vista no jornal

Um piloto rouba um "mig"
Gelo em Marte, diz a Viking
Mas no entanto
Não há galinha em meu quintal
Compro móveis estofados
Me aposento com saúde
Pela assistência social

Dois problemas se misturam
A verdade do Universo
A prestação que vai vencer
Entro com a garrafa
De bebida enrustida
Porque minha mulher
Não pode ver

Ligo o rádio
E ouço um chato
Que me grita nos ouvidos
Pare o mundo
Que eu quero descer

Olhos os livros
Na minha estante
Que nada dizem
De importante
Servem só prá quem
Não sabe ler

E a empregada
Me bate à porta
Me explicando
Que tá toda torta
E já que não sabe
O que vai dá prá mim comer

Falam em nuvens passageiras
Mandam ver qualquer besteira
E eu não tenho nada
Prá escolher

Apesar dessa voz chata
E renitente
Eu não tô aqui
Prá me queixar
E nem sou apenas o cantor

Que eu já passei
Por Elvis Presley
Imitei Mr. Bob Dylan, you know...
Eu já cansei de ver
O Sol se pôr

Agora eu sou apenas
Um latino-americano
Que não tem cheiro
Nem sabor

E as perguntas continuam
Sempre as mesmas
Quem eu sou?
Da onde venho?
E aonde vou, dá?

E todo mundo explica tudo
Como a luz acende
Como um avião pode voar
Ao meu lado um dicionário
Cheio de palavras
Que eu sei que nunca vou usar

Mas agora eu também resolvi
Dar uma queixadinha
Porque eu sou um rapaz
Latino-americano
Que também sabe
Se lamentar

E sendo nuvem passageira
Não me leva nem à beira
Disso tudo
Que eu quero chegar
-E fim de papo!



Raul Seixas nunca é demais então vale ressaltar outras músicas geniais dele que não são tão conhecidas assim como Paranóia, Super Heróis, Sessão Das Dez entre outras.

"TOCA RAUL" I

(primeira de duas músicas do mestre Raul Seixas)

Hoje estava tocando essas duas músicas no violão e me veio uma vontade de posta-las aqui. A primeira música é Tu És O M.D.C. Da Minha Vida do álbum Novo Aeon de 1975 uma música extremamente romântica com uma pureza (no sentido de simplicidade) e genialidade que são marcas registradas do Raulzito


Tu És O M.D.C. Da Minha Vida
Raul Seixas
Composição: Paulo Coelho / Raul Seixas

Tu és o grande amor
Da minha vida
Pois você é minha querida
E por você eu sinto calor
Aquele seu chaveiro
Escrito "love"
Ainda hoje me comove
Me causando imensa dor
Dor!...

Eu me lembro
Do dia em que você
Entrou num bode
Quebrou minha vitrola
E minha coleção
De Pink Floyd...

Eu sei!
Que eu não vou ficar
Aqui sozinho
Pois eu sei
Que existe um careta
Um careta em meu caminho...

Ah!
Nada me interessa
Nesse instante
Nem o Flávio Cavalcanti
Que ao teu lado
Eu curtia na TV, na TV...

Nessa sala hoje
Eu peço arrêgo
Não tenho paz
Nem tenho sossego
Hoje eu vivo somente
A sofrer! A sofrer!...

E até!
Até o filme
Que eu vejo em cartaz
Conta nossa história
E por isso, e por isso
Eu sofro muito mais...

Eu sei!
Que dia a dia
Aumenta o meu desejo
E não tem Pepsi-cola que sacie
A delícia dos teus beijos...

Ah!
Quando eu me declarava
Você ria
E no auge da minha agonia
Eu citava Shakespeare...

Não posso sentir
Cheiro de lasanha
Me lembro logo
Das casas da banha
Onde íamos nos divertir
Divertir!...

Mas hoje o meu
Sansui-Garrat e Gradiente
Só toca mesmo embalo quente
Prá lembrar do teu calor
Então eu vou ter
Com a moçada lá do Pier
Mas prá eles é careta
Se alguém
Se alguém fala de amor
Ah!...

Na Faculdade de Agronomia
Numa aula de energia
Bem em frente ao professor
Eu tive um chilique desgraçado
Eu vi você surgindo ao meu lado
No caderno do colega Nestor
Nestor!...

É por isso, é por isso
Que de agora em diante
Pelos 5 mil auto-falantes
Eu vou mandar berrar
O dia inteiro
Que você é: O Meu
Máximo Denominador Comum!...

agora o audio

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

As Quadras Daquele Momento

Caros amigos, falei que ia escrever algo e tal, peço desculpas por não utilizar os temas sugeridos por vocês no messenger (Principalmente ao Palit0 e sua genialidade ao sugerir "imãs" e "Cagar no Pau"), mas após um sonho e à algumas situações ocorridas nesses dias que passaram, resolvi fazer e postar esse texto aqui.

As Quadras Daquele Momento

Num lindo cenário,
Numa simples fração de segundo,
Ouvi cantar um canário
Suspirando as dores deste mundo.

Foi ao som de tal melodia
Que minh’alma se pôs a pensar
Será que há dor nesta vida
Que o amor não possa curar?

Neste mesmo instante
Senti uma brisa soprar.
Tão gélida, tão fria
Seria alguém a chorar?

Sentada a beira de um lago
Estava uma moça a suspirar
As mágoas de um velho amor
Que não queria mais ser seu par.

Vendo tal desespero,
Não pude deixar de ajudar;
E com algumas sábias palavras
Ensinei-lhe a beleza de amar.

Durante aquele momento
Duas vidas se entrelaçaram;
Dois corações puseram-se a bater;
E por um instante, se amaram.

Durante aquele momento
Viram o que o futuro lhes trazia;
Esqueceram seus problemas
E por um instante, se amaram.


Dedicado à uma amiga especial, Laís Galiaço.
Citando Fernando Pessoa quando comentou sobre Florbela Espanca: "Alma sonhadora, irmã gêmea da minha".

Um texto de
RomanticUnleashed a.k.a. Cesar Gusmão de Paiva Tavares.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

"Quanto" tempo

Fala ae meus comapnheiros de Blog, estou sumido e desatualizado do blog, me desculpem, prometo voltar a postar regularmente e me atualizar dos assuntos, enfim, deixo com vocês uma posia minha recém escrita, espero que gostem.


Quantas ?

E quantas vezes quis que esse vento que sopra me trouxesse notícias suas ?
E quantas vezes fui para a cama com o peito sangrando de amor ?
E quantas vezes evitei me deixar hipnotizar em seus olhos ?
E quantas vezes jurei em vão que seria a última vez ?
E quantas promessas quebrei como se elas fossem vidro ?
E quantas dores senti ao saber que havia perdido seus lábios ?
E quantas pétalas da flor do nosso amor já foram arrancadas ?

Quantas perguntas tenho
E tão poucas certezas
Só a de que não importa o quanto,
Pois ainda é pouco se for por você.

domingo, 3 de outubro de 2010

Caros Amigos

Aos gigantes com quem compartilho o blog e aos caríssimos leitores que o frequentam, peço desculpas pela minha total ausência nos últimos tempos.

Ao Grande Ricardo, algumas palavras:
Amigo, todos passamos por problemas, todos temos nossas dificuldades.. Como alguém que já passou pela experiência de ser depressivo e quase se matou 3 vezes, acredito que posso comentar, que independente da situação ou da pessoa, carregar um peso sozinho por muito tempo, guardar toda uma mágoa que cresce a cada minuto é extremamente desgastante, tanto fisica como emocionalmente. Fico inclusive feliz por você ter compartilhado sua cruz conosco, sei que ajudaremos como puder. Tirar aquela bigorna no peito e respirar sempre ajuda. Creio que ao falar isso, falo por todos nós: Estou aqui para ajudar.

Em breve estarei postando alguma coisa, pensando em escrever algo novo para colocar aqui. Aceito sugestões de tema.
Aquele abraço.

Ricardo, Carta e Algo mais

Primeiro venho pedir desculpas ao Ricardo, digo, desculpas a todos, mas principalmente ao Ricardo. Primeiro que demorei a escrever aqui novamente e ele foi o único a vir até aqui. Segundo, devo pedir-lhe desculpas porque você escreveu um texto, uma carta, em que tenho que adaptá-la, aproveito-me de sua sabedoria e inteligência para colocar aqui o que você também colocou e por isso peço desculpas, por este "quase" plágio.


Mensagem ao Amigo
"Você me trouxe a uma realidade tão constante para mim. Me fez pensar, acima de tudo, em mim mesmo por momentos sem fim. Depois do que você escreveu, uma carta pessoal, você me fez pensar, muito, certo que não tenho que dar algum tipo de opinião em um assunto, como dito por você mesmo, tão pessoal, mas sinto que devo expressar também os meus sentimentos, que se não saírem poderão causar algum estrago, se já não causaram.
Depois de ler seus mais íntimos problemas pensei em algo que ontem me veio a cabeça e fez eu ficar meia hora em um monólogo com a pessoa que amo. Receio não lembrar tudo, porém, lembro o que eu queria dizer.
Amigo, sabe do que mais sinto saudades em meu avô? Sinto saudades de acordar de madrugada ou ficar acordado de madrugada e requisitar sua companhia, e ele sempre estava disposto para acordar e fazer um lanche comigo ou deitar na minha cama enquanto eu ficava no computador. E o que eu dava em troca? Esporros, brigas e nervosismos gerando choro e tristeza. E é por isso amigo que você não deve ter pena de mim quando eu chorar por ele, se você tiver que falar algo, fale apenas "ele está melhor agora", porque vou acreditar. Nunca disse eu te amo. Nunca conversei uma boa conversa com ele e perdi uma oportunidade grande, como gosto de escrever, perdi a oportunidade de escrever sobre a vida dele. Eu ficaria orgulhoso lendo minha obra baseada na vida do meu avô, e ele, aonde quer que ele esteja, estaria agradecendo a homenagem. Pode parecer emocional demais, mas na verdade eu estou aqui para mostrar que não sou muito bom com minhas relações pessoais. Digo isso porque decepciono quase todos os meus amigos e ás vezes os deixo muito chateados por algo que não precisava ter feito ou falado. Não consigo expressar meus sentimentos de forma correta, aliás, erro que vem da minha geração passada. Meu pai e minha mãe não são muito bons em demonstrar que me amam, não é um defeito, é apenas uma característica, minha mãe, por exemplo, como não conseguia demonstrar o amor com o afeto e a união de uma família (até porque meu pai saiu de casa quando tinha um ano de idade) me agradava com presentes caros, e foi assim que aprendi como dar carinho, talvez seja por isso, talvez não seja, mas foi.
Acho que todo tem os caminhos certos, certas passagens na vida são realmente para acontecer, para ter passado. Sabe como o meu avô morreu? Bom ele podia ter morrido de uma forma mais leve, ele tinha pequenos enfartos algumas vezes, mas sempre ia para o hospital e tudo ficava bem. Porém, ele teve que sofrer, talvez para mostrar para mim como eu era e como deveria mudar. Por que o tratava tão mal!? Porque era mimado, não sabia (não sei) dar atenção e nem amor. Ele quebrou o fêmur caindo no chão da cozinha, quando cheguei em casa nesse dia ele estava lá, deitado. Ele olhou para mim e sorriu, como costumava fazer, apesar de tudo, como não conseguia falar direito ele fez um gesto de: "é, caí aqui né, e agora?". O médico chega, leva ele, mamãe não acha vaga em um hospital bom, aguarda uma vaga para ele em um hospital em ele faria cirurgia, precisa do raio-X do fêmur, cada o médico para tirar o raio x? Cadê a enfermeira? Mãe, porque ele está assim, cada vez mais lerdo? Mãe, eu to preocupado com ele, acho que ele está pior! Foi para o CTI, só dois visitantes por cliente, digo, doente. Mãe! Porque ele está assim? Porque ele está desacordado? 24 dias indo e vindo, vamos trocá-lo de hospital! Eu vou com você mãe! Mãe, me deixa ficar mais um pouco aqui com ela mãe, por favor, qual é o problema? Não, volta para casa, seu avô morreu! Chorei no colo dela, enquanto os outros ligavam para minha mãe. Vamos levá-lo para casa! Mãe! Porque eu o tratava daquele jeito!? Não consigo vê-lo rodeado de flores, vou lá embaixo comer alguma coisa.
Em uma conversa, jantando com minha mãe outro dia, falei com a certeza de um filosofo que chegando certa idade, passando certo tempo se perdia o medo de morrer. Ela respondeu em devaneio: "Papai tinha medo de morrer". Fiquei calado, essa frase se jogou sobre mim como um fora da pessoa que você ama, ou até mais pesado, foi como um soco que não para de me doer até hoje. Ele precisava de amor, eu não dava esse amor.
Por isso amigo, te agradeço, agradeço por continuar meu amigo enquanto ainda continuo o mesmo."




Pode parecer meio pesado, mas como o do Ricardo, foi necessário, obrigado.

sábado, 2 de outubro de 2010

Dezembros / Toda a Razão

Véspera de eleições, espero que todos votem conscientemente em candidatos que confiem, por mais que seja difícil percebermos, ainda existem pessoas honestas .... Ou pelo menos eu espero que existam.
Mas não estou postando para fazer propaganda eleitoral de ninguém, pelo contrário, vou postar algo simples, uma música, simplesmente linda.
A música é "Dezembros" de Fagner e Zeca Baleiro. Ela foi tema da novela "Da cor do pecado", talvez reconheçam.



Dezembros (Fagner & Zeca Baleiro)

Nunca mais a natureza da manhã
E a beleza no artifício da cidade
Num edifício sem janelas
Desenhei os olhos dela
Entre vestígios de bala
E a luz da televisão

Os meus olhos têm a fome
Do horizonte
Sua face é um espelho
Sem promessa
Por dezembros atravesso
Oceanos e desertos
Vendo a morte assim tão perto
Minha vida em suas mãos

O trem se vai
Na noite sem estrelas
E o dia vem
Nem eu nem trem, nem ela


Como é de praxe, uma música deve ser seguida de uma citação ou um poema. Como tem tempo que não posto um poema meu, vocês infelizmente lerão algo meu ^^

Toda a Razão (Ricardo José)

Como se cada beijo
Aliviasse meus pesares.
Seus olhos na beleza
Do espelho de sua alma.

Cada segundo memorável.
Cada estrela a teu lado
Era ínfima e quase feia.
Teu sorisso preenchia meu céu.

Todo amor que tive morreu sozinho,
Transeunte abandonado
No que há de mais pérfido da vida.

Todos os seus beijos
Nublavam a visão.
Amar é uma cegueira
Espontânea e seletiva.

Abre-se mão da solidão,
E se esquece de tudo que é feio.

Crio em uma fantasia
O amor,
E perco no embaraçar de teus cabelos
E na resplandecência de teus olhos,
Toda a razão.


"Vulgus vult decipi, ergo decipiatur" - Rezende
"O povo quer ser enganado, pois que o seja" - Rezende

Liberdade e democracia é isso?

Abraços!