Olá a todos!
Vou postar mais uma vez nessa semana, mas nada de revolta e crítica ao capitalismo, vou voltar um pouco a onda de poemas.
Postarei dois, um de minha autoria e outro do ilustríssimo Pablo Neruda.
(Pablo Neruda)
Saberás que não te amo e que te amo
Posto que de dois modos é a vida,
A palavra é uma asa do silêncio,
O fogo tem uma metade de frio.
Eu te amo para começar a amar-te,
Para recomeçar o infinito
E para não deixar de amar-te nunca;
Por isso não te amo todavia.
Te amo e não te amo como se tivesse
Em minhas mãos as chaves da fortuna
E um incerto destino desditoso.
Meu amor tem duas vidas para amar-te.
Por isso te amo quando não te amo
E por isso te amo quando te amo.
Rosas e Estrelas (Ricardo José)
I
Mas que bobagem a minha,
Confiei às rosas o meu amor
Que elas gentilmente roubaram.
Sua cor rubra, viva,
Seu espinho fraco, persistente,
Roubaram o teu perfume.
Atraíram-me, enganaram-me.
Fui tolo ao amar a rosa,
Pois a rosa não eras tu,
Era nada, calada, fria.
Apertei-a em minhas mãos,
Não senti o sangue escorrer,
Juntar-se à pétala fria.
Beijei teu rosto esperando calor,
Senti o amargo do fel.
As rosas sempre vão embora,
Morrem, sofrem, exalam.
Você também se foi, viva, sofrendo
E ainda inebriante.
Teu perfume talvez fosse veneno,
Mas acalmava meu peito
E revirava meu mundo.
Não quero parar de pensar em ti,
Quero reviver cada segundo,
Amar, chorar, rir, sentir, tudo de novo.
As palavras jamais exprimirão teu sorriso
E nunca recriarão a luz dos teus olhos.
As rosas nunca terão os teus beijos
E muito menos a verdade de
Teus cheiros. As rosas,
Nunca serão você.
Só queria relembrar e reviver tudo
Ao teu lado uma vez mais.
Contar nossas histórias às estrelas,
E rir quando quisermos, chorar quando tivermos
E ficar calado, apenas te olhando
Abraçar-te uma vez mais e fugir,
Fugir do medo, da solidão, do futuro.
II
Por que ele vem? Esse futuro
Calado e frio, assassino. Por que, pai?
Por que não segura a minha mão?
Por que não me abraças, mãe?
Por que não me beijas, amor?
Por que não sorris, irmão?
Não morri, apenas não quero sair.
Se me isolo em cárcere, é de saudades,
É de medo de te perder ...
Se eu não voltar é porque sou fraco,
Mas se voltar, ame-me uma vez mais e
Esqueça-me. Peço-lhe apenas isso.
Fuja e leve as rosas, o céu,
O mar, o sol, a lua ...
Mas deixe as estrelas, deixa
Apenas uma, que será você.
E quando eu me libertar deste cárcere
Saberei aonde ir.
Sei que ficou grande, e que fiz a besteira de pôr Neruda antes do meu, mas espero que gostem.
Abraços à todos.
Suficiente
Há 11 anos






Amigo, não foi besteira nenhuma, achei até que continuei lendo Neruda
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