segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Marés de Sol

Já tinha muito tempo que não entrava no blog, peço desculpa pelo afastamento, mas final de ano é complicado pra qualquer bom estudante brasileiro, e com isso quero dizer: todos os alunos que deixam todos os trabalhos pro último dia.
Quero dizer também que venho passando por uma fase um tanto quanto estranha. Não entrarei em detalhes, mas venho sentindo uma liberdade que antes não via. É estranho pois sempre fui acostumado a manter-me preso à algo, a manter-me em dia com minhas responsabilidades e preocupar-me demais com ela. É provável que apenas esteja me prendendo à alguma coisa diferente e esteja naquela fase de excitação por algo novo, pois, como disse Saramago: "Nós temos a simplicidade de pertencer à alguma coisa, e parece que a liberdade plena seria a de não pertencer a coisa nenhuma".
Porém que seja, que eu me prenda à alguma coisa, mas que eu me sinta livre, que eu me sinta feliz, ainda que momentaneamente, entretanto, que seja como disse Vinicius: "Mas que seja infinito enquanto dure".
É assim que formulei minha filosofia, nada na vida é eterno, tudo morre, mas não é por isso que devemos viver vagamente. Cada momento terá sua marca e será infinita enquanto vivermos, pois não devemos ditar o infinito pelo tempo, mas pelo que dele aproveitamos, nossa vida é infinita enquanto vivermos. Vivê-la, entregar-se à ela, com todos os seus defeitos (e são eles que a deixam tão bela), com todo o seu cotidiano e tédio. Viver é saber aproveitar o erro e sorrir verdadeiramente. Não é fácil, pelo contrário, estaria mentindo se dissesse que sigo a minha filosofia afixionadamente ... Mas viver não se trata só de sorrir, a tristeza tem seu papel de suma importância, com ela podemos aprender e evoluir, mas também podemos nos perder e apenas sofrer.
Esse texto na verdade não faz muito sentido, apenas tinha tempo que não escrevia de verdade no blog (normalmente apenas "colo" poemas meus ou músicas), mas por algum motivo eu não paro de pensar que no final do dia o sol sempre se põe enfraquecido no mar e, num sinal de resistência vã, espelha-se em todas as marés, como se pudesse reviver. Mas tudo tem que morrer para algo nascer. O ciclo da vida é esse paradoxo justamente injusto.

Então luto para que meu sol não morra, mas de alguma forma, saber que acabará me faz ter necessidade de ter menos controle da minha vida, faz-me querer deixar as coisas seguirem seus rumos naturais, dá-me vontade de querer ver uma felicidade real, não-induzida, ter seus ápices e ver suas quedas, participar de tudo me faz feliz. Na minha opinião viver é intransitivo e tem seu fim em si mesmo, viver é por viver, não há outro motivo, não vivemos por tal coisa ou alguém, este alguém ou esta coisa está lá porque vivemos e a escolhemos para viverem conosco, não para a gente, mas com a gente. Agora eu sinto que vivo um pouco mais que antes, porque aprendi a me desligar um pouco do mundo e a me ligar ao que realmente me interessa, a fazer o que me faz bem.

Papo de livro de auto-ajuda, filme da sessão da tarde e de gente velha, eu sei mas, perdoem-me a expressão, foda-se, vamos viver!

Beijos e abraços e que esse ano de vestibular acabe logo, pois pelo visto faculdade ... só em 2012!

Um comentário:

  1. Olha quem fala! O cara mais inteligente e sábio que já conheci na minha vida! Faculdade, amigo, pra você é ano que vem... tenho certeza... agora eu... outra história!

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